quarta-feira, 9 de junho de 2021

JOGO DOS ENTRELAÇADOS...


Às vezes, está em nossas mãos, o tempo inteiro. Às vezes, nas mãos do parceiro. Começa a trama. Feita de barbante, a delicada cama. Entramos no jogo para brincar. Depois, o jogo começa a esquentar. Dedos por baixo. Dedos por cima. Num balanço ágil e solto. Fácil de realizar. Com o tempo, as mãos vão mais devagar... 

Às vezes, o polegar ajuda. Às vezes, se inclina. O parceiro reflete e imagina. Olha pelos lados. Pelos cantos. Por cima. Faz o movimento com desenvoltura. Criando nova figura. E passa sua vez...
O jogo aumenta de dificuldade. Não importa a idade. A experiência é que conta mais. Os pais ensinam os filhos. Mas os filhos, muitas vezes, dão dicas para os pais... O lance é estar sempre pronto. Para sair das ciladas. Inventar outros laços. Sair dos embaraços. Virar o jogo! Se possível, alegremente. Tecendo formas diferentes.  

Tão lúdica, essa brincadeira. Mais provocadora que os jogos e brinquedos que já tive. Mais suave que War ou Detetive. Mais complexa que dominó ou ligue-ligue. 

Eu não sabia o seu significado. Foi um sutil aprendizado. Eu e meu parceiro, docemente atados. Nossos dramas. Nossa cama. Cada qual com seus anseios. Às vezes, ganhamos. Outras, perdemos. Ou ficamos paralisados, tentando uma saída. Nem sempre achamos! Mas, de algum jeito, sempre aprendemos... 

Esse jogo, engenhoso e sedutor. Com erros, acertos e ilusões... Bem poderia se chamar... amor a dois!



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foto @soudessaépoca

Para saber mais sobre a brincadeira "Cama de gato"
https://www.coisasdojapao.com/2019/06/ayatori-cama-de-gato-e-brincadeira-com-barbante-tradicional/

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terça-feira, 25 de maio de 2021

ADEUS, ALEMÃO...


Não é Karl. É Karl-Heinz! Hanna apresentou o marido naquela tarde ensolarada na praia de Floripa. Bastaram alguns olhares e a pergunta sobre o drink vermelho que os encantou: - Caipirinha de Morango! Apelidada por eles, alegremente, de “ caipirango!”. 

Nascia ali a improvável amizade entre os casais, brasileiros e alemães. Ela com um inglês difícil e germânico. Era assistente social. Viajava em missão pelo mundo. E tinha um filho especial. Nos entendemos com a alma e o mesmo olhar fraternal... Karl Heinz era engenheiro de alimentos. Entendia de biscoitos e bolachas. Mas gostava mesmo era de velejar e tomar  "nosso bom" cachaça. 

Navegamos longas e belas tardes, em caiaques para dois lugares. Karl contava dos mares gelados. Da pesca. Dos escandinavos. Oceanos distantes e bravos! Era alemão do tipo branquinho, com bochechas avermelhadas. Nos últimos dias, ardidas e estorricadas... 
Karl chegou na praia com camisa de flanela. Xadrez. Manga comprida, vermelha e amarela. Rimos muito. Sem muitos abraços apertados, ardiam demais seus braços. 

Dois anos depois, o casal alemão veio ao Brasil e ficou hospedado em nossa casa. De manhã, ao acordar, a surpresa. Estava pronta a mesa! Pão. Leite. Café que ele mesmo fez em nossa cafeteira. Biscoitos e manteiga que ele achou na geladeira. Hanna sorriu. Karl-Heinz é assim! Tomamos o café da manhã e eles tiveram que partir...
 
Não vou esquecer jamais, os seus olhos azuis e marejados, no dia do último abraço. Hoje, folheando o livro que ele nos presenteou, revi a carta indesejada falando da sua partida e da missa de sétimo dia...

Desta vez, as lágrimas eram minhas. Lágrimas de água e sal. Feito o biscoito. Feito o mar. Que nos uniu e que nos separou. Boa viagem,  Almirante Karl... Karl, não, Karl-Heinz! 
Agora, tanto faz. As palavras e as distâncias não atrapalham mais!


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*livro da Foto, sobre a Alemanha. Presenteado por Karl Heinz

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quarta-feira, 19 de maio de 2021

ORELHA DE PAU?

Meu passatempo preferido é andar pelas ruas ao redor de casa e observar as árvores e flores que habitam a paisagem. Sempre tem uma surpresinha aqui e ali. Uma flor que eu não conhecia. Uma orquídea nova florescendo e sorrindo. Uma ou outra pitanga lá no alto que ninguém conseguiu pegar de assalto.                  

Sofri muito ao ver o velho e enorme chapéu de sol, vítima de uma poda desastrosa e destrutiva, se transformar num tronco sem vida. Olhava o tronco com dor, lembrando da copa aberta e generosa, toda espraiada, agora pedaço de tronco torto e mais nada. 

Desta vez, a surpresa foi alegre e inesperada. O tronco pelado estava florido. Enfeitado de branco. Pétalas grandes encravadas. Pareciam rosas grudadas...  Fui me aproximando tentando entender a visão surpreendente. Não achei brotos, apenas cogumelos à minha frente! 

Os cogumelos sempre tiveram áura de mistério e magia pra mim. São dignos de lendas e fantasias. Aparecem subitamente em bosques sombrios e úmidos e alguns são venenosos, como os mais famosos, de chapeuzinho vermelho com pintas brancas. Conhecidos como Amanita ou Cogumelo do Papai Noel. Dizem as lendas que por conta da sua ingestão é que os nórdicos viam renas e trenós voando no Céu! 

Deixando os alucinógenos de fora, fui procurar os cogumelos brancos e rosados entre as centenas de tipos e diferentes formas. Queria saber o que estava enfeitando o tronco meio oco do antigo e exuberante ex-chapéu de sol. Encontrei tantos e tão bonitos de se ver. Várias cores e padrões. Alguns, bons de comer! 

O orelha de pau foi o que mais se aproximou! Não sei direito se é esse o tal cogumelo que nasceu no meio das rachaduras. Mas gostei da idéia de parecer uma orelha dura. Continuarei a andar pelas ruas, olhando as árvores, sentindo a dor do corte e da morte de algumas... 

E o sol continuará firme e forte brilhando independentemente das tragédias provocadas pelo homem. E depois das chuvas, alguns cogumelos nos darão a breve e fugaz sensação florida de vida e de cores! 

Não foi alucinação... Olhei cogumelos e vi flores!


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terça-feira, 11 de maio de 2021

O VENDEDOR DE MELANCIAS

A antiga Avenida Celso Garcia cortava o bairro do Brás até chegar no Tatuapé. Era extensa, cinzenta e com cheiro de fumaça. Carros e ônibus cruzavam barulhentos e vagarosos. Via perigosa para uma pré-adolescente que todos os dias cruzava a passagem para chegar ao colégio. Agora sem a ajuda da mãe. Prova, aparente, de amadurecimento.

Uma coisa destoava daquele cinza tristonho da avenida. O vendedor de melancias, que ficava na esquina do Largo da Concórdia. Alegre, falante e nordestino, como a maioria por lá. Às vezes, cantava. Às vezes, assobiava. E cortava com facão afiado e rara habilidade, as fatias de melancias verde-róseas. Pareciam deliciosas, refrescantes e geladinhas. Nunca ousei comer um pedaço, sozinha. 

Além da falta de dinheiro, parar numa banca de madeira entre dezenas de homens recostados, alguns trabalhadores, muitos desbocados, era impensável! Havia pouca  higiene e muita poeira dos carros. E se alguém me visse? Crime demais para uma garotinha. Mas aquelas fatias de melancia, geladinhas... 

A Celso Garcia foi ficando mais caótica a cada dia. E depois da implantação do corredor de ônibus, tudo ficou espremido. Mais cinzas empoeiravam as poucas árvores que haviam sobrevivido. 

Os retirantes que chegavam aos montes na Estação do Brás viravam ambulantes e se instalaram nas calçadas. Vendiam de tudo. Miçangas, relógios, churrasquinhos, cocada... Às vezes, a polícia baixava. A maioria não tinha licença. Nem perdão! Era uma correria danada.

O Largo da Concórdia era pura discórdia. Um território hostil onde ninguém se entendia. E o vendedor de melancias continuava sorrindo... Com suas melancias, verde-róseas, deliciosas...

 Uma tarde, na volta do colégio, a cena que parecia impossível. Meu irmão mais velho, com seus vinte anos de idade, chegando da faculdade, ao lado do alegre ambulante, com um pedaço de melancia na mão! Sai correndo em sua direção, como quem implora autorização. - Compra um pedaço pra mim? Foi delicioso aquele... sim! 

Saboreei, junto com ele, a grande lasca, roendo até o verde final da casca. Comer melancia, na avenida Celso Garcia, entre ônibus, operários e cheiro de fumaça... era uma ousadia. Aí que estava a graça!

 

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terça-feira, 4 de maio de 2021

BONECA À PRESTAÇÃO...

Toda quarta-feira eu ficava pronta. Com a minha melhor roupa. Esperava sentada, próxima à porta. Dia de ir à loja da Dona Cristina! Lojinha pequenina. A uns quatro ou cinco quarteirões de onde eu morava. As velhas prateleiras expunham os bordados e linhas. Agulhas e novelos coloridos de lã. Também havia centenas de botões e fitas entocados nas gavetas. E em destaque, ela, a boneca mais linda da face da Terra! 

Roupa feita à mão. Braços e pernas maleáveis. Cara de porcelana. E dois olhos de vidro brilhantes. A boneca dos meus sonhos. Devia ser cara, na época. Minha mãe bolou um plano mágico! Vamos comprar a boneca passo a passo. Cada mês, um pedaço. E com a Dona Cristina combinou uma espécie de crediário mágico. Mexendo com o meu imaginário... 

Eu ia na loja todo mês, acrescentando ao sonho, um novo pedaço. No primeiro mês, o pé direito foi comprado. Depois o esquerdo. As pernas, direita e esquerda. Depois os bracinhos. E a parte central do corpo, com o coração em tecido fino de seda, alinhavado por dentro. Acabamento perfeito. 

No último mês, a parte final, os olhos brilhantes e a cabeça! – Podemos levar pra casa? – Com certeza! Dona Cristina entregou a boneca e eu segurei forte em meu peito. Como Gepeto, agarrado ao seu Pinócchio... 

Se a boneca ganhasse vida, escutaria as alegres e saltitantes batidas do meu coração. Voltamos pelo caminho. Eu, segurando a boneca. Minha mãe, a minha mão. Mal sabia ela... Mais do que a boneca, me deu a compreensão. A felicidade... começa no sonho!



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terça-feira, 27 de abril de 2021

MANIA DE REI...

Sinto frieza e rigidez nos Castelos. E nos semblantes dos Reis e Rainhas em seus ambientes luxuosos e medievais. Não gargalham os reis e rainhas? Não vão ao banheiro? Não engasgam ou comem com as mãos, asas de galinha? É que não mostram seus mais íntimos segredos, jamais... 

Por isso, a rebeldia do Príncipe Harry me encantou. Abandonou o Castelo de Elizabeth, dando bananas à realeza, para viver como um cidadão simples e mortal. E eles morrem bem tarde, sabemos... Dará certo? Não temos noção. Será bom plebeu? Ou, ao menos, um gentil patrão? Sei não...

A notícia real resgatou da minha memória a história do milionário americano que construiu o Castelo de Viscaya. Era excêntrico e rico. Talvez, louco varrido, o tal de James Deering. Começou a construção em 1914 com mais de mil trabalhadores, dez por cento da população de Miami. Era pra ser sua mansão de inverno, com mobiliário italiano requintado, para receber amigos e convidados... Não parou mais, até virar um luxuoso e exótico Castelo.

Entrei pelos jardins, passando por estátuas de pedra, grutas e cascatas. Onde antigamente havia apenas leiteria, oficina de pintura e carpintaria para lembrar o norte da Toscana. Ele foi mudando aos poucos, a típica vilinha italiana...

Dentro do Castelo, luxo absurdo. Salas com adornos de ouro e papéis de parede coloridos à mão. Cristaleiras, quadros e obras de arte do século XV ao XVIII, trazidos de suas viagens à Europa. E uma barca de pedra para relembrar Veneza. Pouco a pouco, ele ia produzindo sua realeza.

Nos quartos, as maiores surpresas. Eram mais de setenta! Limpos e arrumados. Cada um deles, com a decoração perfeita para agradar cada um dos namorados. Árabes, chineses, italianos, japoneses, franceses, eslavos...

Foi uma volta ao mundo entrar nos cômodos finamente decorados com objetos de arte ricos e inusitados de países variados. Ali, os segredos ficaram guardados.

Dizem... que Deering agia como Rei, malvado, prendendo em suas belas celas seus convidados. Dava-lhes o que havia de melhor. Tratando-os... como escravos! Eu, hein...

 

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