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terça-feira, 13 de maio de 2025

A FLOR GUARDADA

Entre as páginas amarelas e o cheiro de papel envelhecido encontrei a flor presa e amassada. 

De aparência seca e desmontada, mas ainda flor, embora o tempo lhe tivesse roubado a cor.

Passei a mão com cuidado, como se acariciasse um pássaro, frágil. Tentei lembrar por que a guardei. De quem era? Em que momento da minha vida ela se tornou tão  importante para ser preservada? O silêncio alto me incomodava.

Aquela flor sem história não me dizia nada e carregava tantas possibilidades. Lembrança de um encontro no passado? Onde as palavras foram sufocadas e nas páginas, lacradas? Uma paixão breve que deixou seu rastro leve? 

Quem sabe, um presente da natureza! Uma flor caída no caminho se dissolveria num jardim vizinho e eu não a deixaria para trás. O livro, então, tornou-se um cofre. Um abrigo onde o tempo não iria tocar. 

Ou simplesmente por nada. Eu, criança, tentando esconder a flor roubada. Maldade infantil para ver, um dia, suas pétalas amassadas. 

Seca, prensada entre as palavras, a flor guardou sua história dentro de outras histórias. O dia em que foi colhida e a luz do sol que brilhava no dia que sumiu no livro e hibernou.

Eu continuo olhando a flor, murcha e dormente. Nós, humanos somos assim. Guardamos coisas sem motivo aparente e esquecemos as mais importantes. 

Fechei o livro. Deixei a flor onde estava. Quieta e deitada, sem interferir.

Não quis movê-la do lugar, como se respeitasse sua missão...  de me fazer sentir.


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