quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A MÃE DA FORMIGA

                                                                                                  Desciclopédia

Tem gente que é cascuda. Leva cada porrada da vida!
Levanta, sacode a poeira e segue em frente, sem grandes danos. Não leva culpa. Nem culpa ninguém. Assim lhe faz bem!
E é bom que tenha gente assim. Que segue sem lamento, aprendendo ao seu tempo. Muitas vezes, sem nenhum comprometimento. É um jeito! E cada um tem o seu de viver.
Tem gente, porém, que é pura seda. Rasga fácil. E desfaz-se em pedaços. Basta um peteleco da vida e a alma se contorce toda. Um beijo mal dado e lá se vai o feriado!  Uma palavra errada do amigo e a relação corre perigo. E quando a injustiça começa rondar, o mundo está pra desabar.  
Não se trata de melindre, ou bipolaridade. É o “ser sensível”! Aquele que se trabalhasse em um hospital viveria o drama de cada paciente. Aquele que vê desenho da Disney e chora. Aquele que sente e se incomoda! E como é duro ser assim...
Dizem que é coisa de artista, poeta, gente que não sabe ganhar dinheiro. Só problemas existenciais.  E deve ser sim. Sou deste último tipo desde pequena. Os sentimentos ecoam gigantes. Muitas vezes, desproporcionais. Para o bem e para o mal. Mas sempre deixam, de presente na alma, um belo contorno final!  
Eu tinha cinco anos e lembro perfeitamente... Estava sentada no chão da cozinha olhando uma fila de formiguinhas que passavam perto. Como toda criança, impetuosa, e muitas vezes cruel, espremi com o dedo a última formiga da turma. Queria tocar. Sentir seu cheiro. Experimentar o caos!
Foi quando meu pai, sem ter a noção do tecido frágil de que era feito meu coração, perguntou com ar sério: - você matou a formiguinha?  Sabia que a mamãe dela estava esperando ela chegar em casa? 
A frase danosa entrou feito punhal no meu coração. Foram dias de tristeza e a promessa de nunca mais matar uma formiga sequer. Nem as saúvas!
Nenhuma mãe, mesmo inseto, merece!     



*************************************************************

OBRIGADA PELA VISITA! SE QUISER RECEBER AS  NOVAS POSTAGENS TODA QUARTA FEIRA, DEIXE SEU E MAIL NO CAMPO DO LADO DIREITO DO BLOGUE OU CLIQUE EM SEGUIR + (FOLLOWERS). NO FINAL DE SETEMBRO, UM LIVRO INFANTIL SERÁ SORTEADO! BOA SORTE!

 

 

6 comentários:

  1. Que lindo Ines! Não consegui para de ler ! Tocou meu coração. 😘

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É mesmo, vizinha, é duro ser assim. Quando criança, também tive meu dia de crueldade extrema. Foi quando, sem imaginar as consequências, subi num açaizeiro e retirei da folhagem da palmeira um ninho com três passarinhos-bebês. Assustados, eles se agitaram e piaram forte, pedindo socorro. No momento em que descia segurando o meu ''troféu'', chegaram os pais dos trigêmeos, ''gritando'' feitos loucos ao meu redor. Não dei importância e pisei no solo levando o ninho para dentro de casa, colocando-o num lugar da varanda onde, achava eu, ninguém poderia ver. Digo, com toda sinceridade, que não havia maldade no meu coração. Na minha ingenuidade, eu só queria criar aquelas criaturinhas, dando-lhes grãos de milho e de arroz. E foi com muita tristeza que, quando acordei no dia seguinte, vi que todos tinham morrido. Desse dia em diante, nunca mais matei um ser vivo sequer, com exceção de baratas e pernilongos. Mas até hoje sinto remorso quando lembro dos trigêmeos que retirei dos pais e que poderiam ter voado livres por muito tempo, embelezando a natureza. Como perguntaria o teu pai, com ar sério: ''Você não sabia que os passarinhos-bebês estavam esperando os pais voltarem pra casa com o alimento que eles necessitavam para viver?"

      Excluir
    2. Caro vizinho de oceano... Com certeza,assim como eu , na ingenuidade infantil, você não pensou nas consequências do seu ato! Pela ignorância, penso que estamos desculpados! Mas concordo com você.. baratas e pernilongos não fazem parte do meu plano de salvação!

      Excluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Maravilhoso o tema, Inês! Crianças aprendem com seus próprios erros. Lamentam-se...choram...mas aprendem. Fica a lição!

    ResponderExcluir