quarta-feira, 12 de outubro de 2016

CHEIRO DE CHÃO MOLHADO...

Certos cheiros da infância ficam guardados em nossa memória.Talvez residam lá há séculos, numa espécie de memória ancestral. E quando lembramos, sentimos novamente, viajando no tempo e na mente.
Lembro de cheiros fantásticos da época da escola.O cheiro do caderno novinho e suas páginas intactas. Cheiro de papel bom. Era inevitável rodar as páginas com as mãos para sentir o vento no rosto. Cheiro branco. Cheiro gostoso. Da brochura a desabrochar.

Bom também era o cheiro da borracha verde qua apagava o lápis. Macia e diferente da borracha de caneta. Metade azul, metade vermelha. Dura e rasurenta! Quem é que não furou um papel assim? É preciso experiência e bom olfato para distinguir o cheiro das duas borrachas... E o que dizer da serragem com grafite que ficava presa no apontador?  Tudo acabava na ponta do nariz. Na hora de assoprar feliz!

São incontáveis os cheiros da infância Cheiros de criança. Alguns azedos e passados. Como o da laranjada que escorria dentro da lancheira ensopada! O cheiro de xixi na calça, quando pingava. Cheiro de creolina nos ralinhos. E da massinha de modelar que nos dedos grudava!

Mas outros eram maravilhosos, como o cheiro dos jasmins ao lado do colégio, na casa da Dona Joaquina. O cheiro do queijo torrado na chapa, que vinha da cantina...
E no intervalo das aulas, bem na porta da escola, outros cheiros ganhavam vida. O árabe, gordinho e de boina, abria sua sacola de lona e eu sentia o cheiro das esfihas! Já meio moles e empilhadas. Mas, incrivelmente perfumadas! Ele cortava e espremia o limão na hora e o cheiro cítrico em nossas mãos ficava até o final das aulas! Ninguém se importava...

Mas o cheiro que me enche de ternura, desde a infância até hoje, é o cheiro do chão molhado depois da chuva. A chuva forte dos dias quentes. Das gotas grandes que batem  no chão e molham tudo rapidamente...
Depois de algum tempo, quando ela vai embora e a água evapora, sobe lentamente o cheiro de chão quente. E a minha mente docemente invade. Molhando os meus olhos.     Inundando minha alma, de criança, e de saudade!


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9 comentários:

  1. Muito bom!!! Curto demais estes aromas que nos levam à infância. Lindo texto

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  2. Verdade verdadeira lembrar de tudo isso, cheiros e sabores !!! nao perdemos essas lembranças. Um cheiro que me lembro era qdo minha Mãe fritava bolinhos de bacalhau que só ela sabia fazer !!!!

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  3. Verdadeiramente restaurador é o cheiro de mato molhado. Chuva rega, chuva limpa, chuva revive. Cheiro de chuva é cheiro de vida! Ótimo texto Inês.

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  4. Tinhamos ainda o cheiro de álcool das provas em mimeógrafos. O cheiro do pincel atômico, para poucos destemidos a cheira-lo. Gostosa viagem nos sentimentos...

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  5. Tinhamos ainda o cheiro de álcool das provas em mimeógrafos. O cheiro do pincel atômico, para poucos destemidos a cheira-lo. Gostosa viagem nos sentimentos...

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  6. Texto maravilhoso, que faz com que realmente ocorra uma viagem no tempo. Parabéns! Obrigado pelo incentivo a cultura em nosso país! "Inesplicando" o inexplicável...rs

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    1. Obrigada Alberto! Pela leitura e pelo espaço para a arte e a cultura na TOpTV Social Media!

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  7. Uaaaau, a Ines nos “transporta” ao passado, trazendo à lembrança cheiros hà muito esquecidos! Viagem deliciosa! 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻🌹😘

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