agora, assista o vídeo da crônica
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
NÃO FOI TEMPO PERDIDO...
agora, assista o vídeo da crônica
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
A PONTE DA MINHA ALDEIA
Um erro no jornal. O repórter distraído trocou a imagem da Ponte Pensil de São Vicente pela foto da Golden Gate.
Mas como são
diferentes...
A Golden Gate não tem moleques atrevidos que pulam soltos e desprotegidos no mar atlântico vicentino, mar de belezas e tantas incertezas.
A Golden Gate não tem no sopé, encravada, a casa das bananadas! Não tem, do lado de lá, junto às filas de carros que andam feito serpente, um bocado de ambulantes e diferentes gentes. Velhos, crianças, jovens, deficientes. Sob o sol escaldante. Ou nas noites frias e cortantes... - Olha a cocada! Limpador de para-brisas. Pano de chão. Bandeirola. Castanha do Pará. Esfregão...
Também não tem, logo alí no Japuí, as Marinas e seus ricos iates. Ao lado de casinhas simples dos pescadores com seus barquinhos de pequeno porte.
Não, a Ponte Pênsil não é a Golden Gate. Muito menos São Francisco é São Vicente!
A Ponte Pênsil é a cara do Brasil e suas implacáveis diferenças. É o Brasil com todas as suas mazelas. Mas ainda assim, consegue ser bela. E na carona de Fernando Pessoa, pode ser pequena, menor e mais velha, mas é a ponte mais bela, porque é a ponte da minha terra.
Rústica e castigada, como a pele e os olhos dos meninos que dela pulam sem medo e sem porquês.
A ponte pênsil tem veias de aço e madeira que balança.
Tanto me alegrava, quando eu passava, criança e agora balança,
em pensil esperança, como o meu coração!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
QUEM BEBE DESSA ÁGUA...
********************
Relaxe sua mente e o coração.
Faça sua inscrição no canal!
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
COM QUE ROUPA EU VOU?
Era uma mala grande e vazia. Aberta em frente de casa. Deixada numa noite fria...
O que eu coloco na mala? O vazio me cavocava. Vou
pegar duas calças e uma saia. Colocar bem espaçadas. Ainda vai sobrar espaço.
Posso colocar uma jaqueta e um casaco. Não sei pra onde vou. E quem me
convidou.
Coloco escova de dentes? Cremes? Sabonetes? Coisas
de higiene pessoal? Alguns hotéis oferecem. Que hotel será esse? Não há um
bilhete, voucher, nem sinal de estadia. Nada além da mala vazia.
Vou colocar livros. Meu vinho favorito. Acho bom
colocar bombons. De licor. E se escorrerem pelos tecidos grudando os vestidos?
Levo sabão. Tesoura. Linha e agulha. Alguma coisa que faça costura e remende qualquer
estrago. Não sei que horas eu parto.
Que tipo de roupa levar? Será sério o lugar? Vestidos
longos, sapatos altos, colar. Ou melhor
sandália, camiseta velha e uma almofada de sentar. A mala vazia me olha pedindo
pra repensar. Coloco perfumes? Ou sementes naturais? Não sei nada mais. Aonde
vou? O que vou precisar?
A mala é muito grande. Cabe grandes travesseiros. Devo
levar dinheiro? Cheques, cartões? Ou cartas guardadas de amor? Ninguém a meu lado para dizer. Só a agonia da
mala vazia prestes a me enlouquecer.
Vou encher de coisas sem muito pensar. Misturar trecos.
Objetos. Uns sem sentido, outros de valor. Um secador, um coador, um diploma, uma
nota de cem. Meu coelho de pelúcia também. Roupas íntimas! Pode ser que eu
fique muitos dias.
Agora sim, a mala está lotada. Abarrotada. Deixada no
mesmo lugar. Eu sigo com o vazio de não saber como e quando vou viajar.
Vida e morte. Ambas são assim. Uma mala que a gente
carrega e não leva no fim...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
AQUELE DRINK AZUL...
************************
OBRIGADA PELA VISITA!
quinta-feira, 18 de dezembro de 2025
ESTÁ PASSANDO, JÁ PASSOU.
Ontem foi Natal. Hoje é verão. E de repente pulamos o carnaval, embora mal tenhamos tirado a areia dos biquínis e o bocado que restou de sal.
Não dá tempo de guardar o samba das escolas e o outono chega, derrubando folhas e algumas promessas.
Logo, férias de julho, crianças correndo e eu ainda procurando a
tampa do Tupperware perdida no Ano-Novo. Depois vem a primavera, com flores que
mal se abrem antes de murchar, e num instante, é Natal outra vez.
O que aconteceu com o tempo? Perdeu o freio? Ou será que o mundo virou um toca-discos com aquela borracha laceada, onde a agulha dança sem controle, pulando faixas e nos deixando tontos?
Antes, as tardes eram compridas como as saias de nossas
avós. Agora, são bermudas curtas, calças cortadas sem muita noção.
A medicina se gaba de nos dar mais anos de vida. Muitos de nós chegarão aos cem, brincando. Que adianta, se os dias saltitam e disparam à nossa frente? Parece ou estão mesmo cada vez mais curtos? Escandalosamente curtos. E rápidos.
Querem que vivamos mais, mas nos tiraram o luxo de viver devagar.
Não há mais tempo
para tardes preguiçosas, para fazer um bolo no forno, para olhar a vida passar
sem pressa, feito um barquinho deslizando no rio de Nova Odessa. O tempo agora
é o frisson de um mar revolto em Ibiza e nós, náufragos, riscamos aflitos os dias no calendário virtual acelerado.
Houve tardes em que o sol demorava a se pôr, e nós, crianças, acreditávamos que o amanhã estava tão longe quanto a lua. Hoje, estamos sextando em menos de sete dias. Bobeou é sexta de novo.
Corremos para viver mais e nessa pressa, esquecemos de viver a paz.
Talvez seja hora de parar, desligar o motor, o celular e ouvir o silêncio. Quem sabe o tempo volte a ser nosso aliado.
Vamos voltar o whatsapp à velocidade normal de uma voz humana e monótona, por que não? E o nosso velho toca-discos, com sua borracha laceada, talvez toque a vida em sua melodia original...
sem pressa de chegar ao fim.
Crônica feita em 17 minutos e 42 segundos. De repente, passou.
******
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
NA CAIXA, POR FAVOR...
Dentro e fora do Mercado. Na caçamba dos caminhões. Pelos corredores, aos montões. Caixas com frutas nordestinas desconhecidas. Além das uvas, melancias. Laranjas. Acerolas. Limões.








