
Ali, no Centro histórico de Cananéia , algumas verdades aprisionadas ainda ecoam nos casarios mais antigos.
Paredes grossas feitas de pedra, conchas e sambaquis guardam energias densas da escravidão. Muitas casas são hoje rústicos restaurantes e guardam masmorras e tristes objetos no porão.
Servem peixes e a famosa ostra da região. Mas o som dos escravos parece ecoar em nossas mentes. Há uma angústia em quem visita os velados ambientes.
Cananeia é litoral sul paulista, chamada “Cidade Ilustre do Brasil”. Assim como Paraty, carrega histórias nas velhas pedras ascentadas nas ruas e caçadas.
Foi nesse primeiro povoado que viveu o degredado Cosme Fernandes, homem mau, que chegou aqui, antes mesmo de Cabral.
A maioria das casinhas coloniais está conservada e é possível ver nos telhados a antiga divisão social.
Os ricos construíam o telhado com três camadas: eira, beira e tribeira. Os mais pobres — nem eira, nem beira! Daí a expressão que retrata alguém sem posses, sem um tostão na carteira, cuja casa só tem um telhado. Sem eira, nem beira!
A maioria é gente simples, como os pescadores do local.
Um simpático morador nos levou até o Sítio do Cardoso. Lá, a gente chega e escolhe o peixe que vai comer no almoço, feito ali, na hora e no fogo.
Escolhemos paraty e peixe-galo e seguimos em direção à trilha de bromélias e araçás que levava até o mar.
A praia rústica, as armadilhas indígenas feitas de gravetos e os golfinhos ao fundo davam a moldura da natureza preservada e linda.
Uma tartaruga marinha veio nos cumprimentar e dar boas-vindas.
Na volta, o peixe já frito, a cachaça de cataia e um pescador de camarões contando causos do mar.
Tudo simples. Como a gente bem podia ser.
Sem besteira! Nem eira. Nem beira.







