Se possível for... Devolva-me o oceano com sua profundeza e cada uma de suas miudezas. Devolva o tom azulado dos dias calmos e serenos. E o ondulado cinzento, vivo e remexido pela força dos ventos. Prometo contar cada onda nascente e todos os peixinhos que couberem no seu ventre. Apenas deixe, mais uma vez, que no oceano eu entre...
Devolva-me o céu infinito com o brilho das estrelas. Contarei cada uma delas, sem me importar com o passar do tempo e se vai amanhecer mais cedo. Ficarei observando dias e anos, deitada no chão tamanho que me acolhe. Apenas deixe mais uma vez que os céus eu olhe...
Devolva-me os parques cheios de crianças. Com seus risos e gritos. Serei uma delas, brincando nos balanços, abraçando e
beijando seus rostos. Apenas deixe que sem máscaras e sem medo, eu abrace a todos.
Devolva, sobretudo, a paz e a alegria do mundo. Que o
vírus invisível retirou. E a guerra dilacera, deixando nas casas vazios de solidão.
E se não for pedir demais... Devolva-nos os que
partiram. Os bons e os maus. Prometo amar diferente. Dar minha mão, caridosamente. Apenas deixe-me aprender a ser gente.
E se possível ainda for... Daria pra recomeçar tudo, do ponto onde o mundo descarrilou?
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