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A vida, esculpida nas experiências, vai apurando nossos sentidos. A gente começa a perceber mais depressa as primeiras, segundas e até décimas terceiras intenções.
Um sorriso de lado.
Um gesto disfarçado.
Um aperto de mão vazio.
Um olhar mascarado.
Quanto mais desvendamos a alma humana, mais percebemos suas artimanhas.
E como é cansativo ter de ler nas entrelinhas.
O que quis dizer aquela frase pela metade?
Fulano está ressentido de verdade?
É meu amigo ou inimigo?
Foi um elogio ou pura falsidade?
As redes sociais são mestras nisso.
Meias palavras. Meias verdades. Felicidades performáticas.
E nós, depois de certa idade, já não temos estômago para tanta encenação. Viva o não!
Queremos clareza. Transparência, se possível.
Nada de dizer que está lindo quando não está.
Dizer que gosta quando apenas suporta.
Forçar felicidade para a fotografar a vida.
Chega.
Que tal abrirmos as portas? As janelas? O coração?
Como crianças, usando respostas simples:
Sim ou não.
Na juventude, seguindo a corrente, surfamos na onda do momento sem perceber muito bem onde ela vai dar.
Depois, quando a gente amadurece e passa a conhecer um pouco melhor o ser humano — a gente cresce —, fica mais fácil decidir.
Nada de meios sorrisos.
Meias verdades.
Meias intenções.
A idade madura pede clareza.
Olho no olho.
Palavras e gestos reais.
Sejam doces ou amargos.
As Monalisas que me desculpem.
Prefiro os sorrisos largos.
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