segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
NO ESPELHO É MAIS FÁCIL...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
A FLOR GUARDADA
Entre as páginas amarelas e o cheiro de papel envelhecido encontrei a flor presa e amassada.
De aparência seca e desmontada, mas ainda flor, embora o tempo lhe tivesse roubado a cor.
Passei a mão com cuidado, como se acariciasse um pássaro, frágil. Tentei lembrar por que a guardei. De quem era? Em que momento da minha vida ela se tornou tão importante para ser preservada? O silêncio alto me incomodava.
Aquela flor sem história não me dizia nada e carregava tantas possibilidades. Lembrança de um encontro no passado? Onde as palavras foram sufocadas e nas páginas, lacradas? Uma paixão breve que deixou seu rastro leve?
Quem sabe, um presente da natureza! Uma flor caída no caminho se dissolveria num jardim vizinho e eu não a deixaria para trás. O livro, então, tornou-se um cofre. Um abrigo onde o tempo não iria tocar.
Ou simplesmente por nada. Eu, criança, tentando esconder a flor roubada. Maldade infantil para ver, um dia, suas pétalas amassadas.
Seca, prensada entre as palavras, a flor guardou sua história dentro de outras histórias. O dia em que foi colhida e a luz do sol que brilhava no dia que sumiu no livro e hibernou.
Eu continuo olhando a flor, murcha e dormente. Nós, humanos somos assim. Guardamos coisas sem motivo aparente e esquecemos as mais importantes.
Fechei o livro. Deixei a flor onde estava. Quieta e deitada, sem interferir.
Não quis movê-la do lugar, como se respeitasse sua missão... de me fazer sentir.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
NÃO FOI TEMPO PERDIDO...
agora, assista o vídeo da crônica
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
A PONTE DA MINHA ALDEIA
Um erro no jornal. O repórter distraído trocou a imagem da Ponte Pensil de São Vicente pela foto da Golden Gate.
Mas como são
diferentes...
A Golden Gate não tem moleques atrevidos que pulam soltos e desprotegidos no mar atlântico vicentino, mar de belezas e tantas incertezas.
A Golden Gate não tem no sopé, encravada, a casa das bananadas! Não tem, do lado de lá, junto às filas de carros que andam feito serpente, um bocado de ambulantes e diferentes gentes. Velhos, crianças, jovens, deficientes. Sob o sol escaldante. Ou nas noites frias e cortantes... - Olha a cocada! Limpador de para-brisas. Pano de chão. Bandeirola. Castanha do Pará. Esfregão...
Também não tem, logo alí no Japuí, as Marinas e seus ricos iates. Ao lado de casinhas simples dos pescadores com seus barquinhos de pequeno porte.
Não, a Ponte Pênsil não é a Golden Gate. Muito menos São Francisco é São Vicente!
A Ponte Pênsil é a cara do Brasil e suas implacáveis diferenças. É o Brasil com todas as suas mazelas. Mas ainda assim, consegue ser bela. E na carona de Fernando Pessoa, pode ser pequena, menor e mais velha, mas é a ponte mais bela, porque é a ponte da minha terra.
Rústica e castigada, como a pele e os olhos dos meninos que dela pulam sem medo e sem porquês.
A ponte pênsil tem veias de aço e madeira que balança.
Tanto me alegrava, quando eu passava, criança e agora balança,
em pensil esperança, como o meu coração!
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
QUEM BEBE DESSA ÁGUA...
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terça-feira, 6 de janeiro de 2026
COM QUE ROUPA EU VOU?
Era uma mala grande e vazia. Aberta em frente de casa. Deixada numa noite fria...
O que eu coloco na mala? O vazio me cavocava. Vou
pegar duas calças e uma saia. Colocar bem espaçadas. Ainda vai sobrar espaço.
Posso colocar uma jaqueta e um casaco. Não sei pra onde vou. E quem me
convidou.
Coloco escova de dentes? Cremes? Sabonetes? Coisas
de higiene pessoal? Alguns hotéis oferecem. Que hotel será esse? Não há um
bilhete, voucher, nem sinal de estadia. Nada além da mala vazia.
Vou colocar livros. Meu vinho favorito. Acho bom
colocar bombons. De licor. E se escorrerem pelos tecidos grudando os vestidos?
Levo sabão. Tesoura. Linha e agulha. Alguma coisa que faça costura e remende qualquer
estrago. Não sei que horas eu parto.
Que tipo de roupa levar? Será sério o lugar? Vestidos
longos, sapatos altos, colar. Ou melhor
sandália, camiseta velha e uma almofada de sentar. A mala vazia me olha pedindo
pra repensar. Coloco perfumes? Ou sementes naturais? Não sei nada mais. Aonde
vou? O que vou precisar?
A mala é muito grande. Cabe grandes travesseiros. Devo
levar dinheiro? Cheques, cartões? Ou cartas guardadas de amor? Ninguém a meu lado para dizer. Só a agonia da
mala vazia prestes a me enlouquecer.
Vou encher de coisas sem muito pensar. Misturar trecos.
Objetos. Uns sem sentido, outros de valor. Um secador, um coador, um diploma, uma
nota de cem. Meu coelho de pelúcia também. Roupas íntimas! Pode ser que eu
fique muitos dias.
Agora sim, a mala está lotada. Abarrotada. Deixada no
mesmo lugar. Eu sigo com o vazio de não saber como e quando vou viajar.
Vida e morte. Ambas são assim. Uma mala que a gente
carrega e não leva no fim...
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
AQUELE DRINK AZUL...
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OBRIGADA PELA VISITA!







