quarta-feira, 20 de novembro de 2019
O CANTO MÁGICO
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
RESENHA DO MÊS: "O POETA DA MADRUGADA"
Com a melodia na cabeça aguardei o “Poeta da madrugada” chegar em minhas mãos. Veio num envelope do correio com a "anunciação": o livro do Alceu chegou!
Não era uma manhã de domingo. Chegou de Portugal. numa segunda feira, presente da Chiado Editora.
Aproveitei a noite de lua cheia e li nota por nota, a poesia musical.
Fã e conhecedora da obra de Alceu Valença, foram trinta anos de trabalho no rádio, eu não me surpreendi.
Seus poemas soam como música. Tem melodia e ritmo. Às vezes, um galope leve e elegante pelas areias do agreste. Às vezes, cavalo em disparada.
Alceu passeia por diferentes universos. Vai do popular ao erudito. São recorrentes os temas como o vento, a saudade, a solidão e o tempo.
Uma travessia constante do real à utopia. Cantando amores e dissabores. Versos com ritmo pulsante. Dá vontade de ler cantando!
A primeira parte do livro é quase biografia. A estrada, sua sina.
“ Aonde é que tu vais, senhora estrada/ Companheira fiel do meu destino...
Depois, retratos da terra natal: São Bento do Una, depois Recife e Olinda. O amor às suas raízes.
“O sol acorda São Bento/ De
modo tão desatento...
“Minha Recife adorada/ Ficaste em mim
incrustada
Como jóia que se
guarda...
“Olinda/ Tens a paz dos mosteiros da Índia...
E Alceu segue viagem. Rio, Paris e Lisboa...
“Morena de Copacabana/ E meu olhar estrangeiro
Toda cidade no cio/ Ah, meu Rio de Janeiro”
“Dizem
que moro em Paris/ Quase chego a acreditar
Aqui moro e não moro/ O meu verbo é transitório”...
-“Ah Lisboa,
tua noite me comove!/ O meu berro cruza o Tejo
e o Atlântico. Chega a bares de Recife e de Olinda...
Na segunda parte do livro, o poeta que canta as cidades, fala sobre o tempo e as horas. E nos arrebata com a solidão que devora...
“... é prima irmã do tempo/ que faz nossos relógios caminharem lentos”
No final do livro, um presente de Alceu? Romance da Bela Inês, um poema, que eu tola, pensei que fosse meu.
O livro de Alceu Valença deixa seus sinais no final:
“escrevo sobre o nada, pelo simples prazer de escrever...
Suave e gostosa leitura.
São setenta e três poemas, escritos de 1967 até 2014.
Vale a pena se entregar ao Poeta da Madrugada! Porque tem a cara de Alceu Valença. Poesia com baião e embolada. Pernambuquice desenfreada.
Frevo com forró, bumba meu boi e mulher amada.
Tudo é poesia e melodia ritmada.
Tudo Alceu! Ao nosso dispor!
* * * *
Obra: O Poeta da Madrugada – Editora Chiado Books
Autor: Alceu Valença
Data de publicação: Janeiro de 2015
Número de páginas: 108
Coleção: Prazeres Poéticos
Gênero: Poesia
https://www.chiadoeditora.com/
https://www.facebook.com/ChiadoEditora
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
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