Eles dançaram a noite toda.
All night long!
Eles
dançaram anos sessenta, Chucky Berry, Elvis, Beatles.
Eles dançaram anos
setenta, Bee Gees, Abba, Donna Summer.
Eles dançaram anos oitenta, Noel,
Rick Astley, The Cure...
E quando a música parou, eles continuaram dançando.
Na minha cabeça, eles nunca param de dançar. Na verdade, acho que
eles dançam há séculos. Dançam desde outras vidas.
Quem sabe, um elegante casal
de nobres valsando nos grandes bailes em castelos medievais. Ou não.
Parecem mais camponeses que dançavam alegres em festas de família, regadas a
vinho e conversas ao luar.
São almas leves que balançam suaves, como se os
problemas da vida fossem resolvidos ali, numa valsa bem executada.
Como se as
dores do cotidiano fossem incontáveis bolinhas de gude, num bolso abarrotado e
o movimento do corpo, ritmado, fosse colocando tudo, harmoniosamente, no lugar.
A dança é viva. Faz a alma flutuar.
E não há quem não se
encante em ver o casal dançar.
E não há quem não aprenda que a vida precisa de
uma pausa: uma pausa para dançar.
Mesmo que não se dance tão bem quanto eles. Mesmo
que os pés estejam endurecidos. Mesmo que se dance só.
É preciso dançar sem medo
e com esperança. Sabendo que a vida é mais que perfeita quando se encontra
alguém que sabe dançar...
a mesma dança.
********
Dedicado ao casal
Norma e Ademar
* * * * * * * *
