Páginas

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A MESMA DANÇA

   

Eles dançaram a noite toda.
All night long! 

Eles dançaram anos sessenta, Chucky Berry, Elvis, Beatles. 
Eles dançaram anos setenta, Bee Gees, Abba, Donna Summer. 
Eles dançaram anos oitenta, Noel, Rick Astley, The Cure... 

E quando a música parou, eles continuaram dançando. 
Na minha cabeça, eles nunca param de dançar. Na verdade, acho que eles dançam há séculos. Dançam desde outras vidas. 

Quem sabe, um elegante casal de nobres valsando nos grandes bailes em castelos medievais. Ou não. Parecem mais camponeses que dançavam alegres em festas de família, regadas a vinho e conversas ao luar.

São almas leves que balançam suaves, como se os problemas da vida fossem resolvidos ali, numa valsa bem executada. 
Como se as dores do cotidiano fossem incontáveis bolinhas de gude, num bolso abarrotado e o movimento do corpo, ritmado, fosse colocando tudo, harmoniosamente, no lugar.

A dança é viva. Faz a alma flutuar. 
E não há quem não se encante em ver o casal dançar. 
E não há quem não aprenda que a vida precisa de uma pausa: uma pausa para dançar. 

Mesmo que não se dance tão bem quanto eles. Mesmo que os pés estejam endurecidos. Mesmo que se dance só.

É preciso dançar sem medo e com esperança. Sabendo que a vida é mais que perfeita quando se encontra alguém que sabe dançar... 
a mesma dança.



********

                Dedicado ao casal 
              Norma e Ademar
 
 
*                    *                        *                         *                        *                    *                       *                      *