terça-feira, 11 de junho de 2019
NÃO SE PODE VOLTAR...
terça-feira, 4 de junho de 2019
SANTA CLARA, URGENTE!
O vento raivoso entrava veloz no corredor da rua trazendo areia, pedriscos, fagulhas. Revirando as folhas e formando redemoinhos, numa espécie de mini tornado em desalinho. Foi um vendaval? Um tufão? Um furacão? Deu um medo danado. Mas que raios! Cena igual a essa, nunca tinha presenciado.
Procuro o culpado. O efeito estufa. O buraco no ozônio. O degelo. A poluição... Talvez tudo somado e tenhamos que conviver, tristes e conformados, com essas novas tempestades com doses de violência e destruição. Colhemos a fúria. Merecemos a braveza, de quem nos acolheu com flores, frutos, água e beleza. Perdão, mãe natureza!
Duas horas depois. O medo acabou. A luz voltou. Só o caos restou. Desço do elevador e encontro o pequeno Guilherme, com sua mãe, todo orgulhoso... Enfrentei sem medo a tempestade! - Que valente! Jura que não chorou? Não rezou? Nem pediu ajuda a Deus?
Guilherme então, tirou do bolso o celular e no whatsapp mostrou a foto de Santa Clara que a mãe lhe mandou... - Fiquei olhando a santa no celular tempo todo. E confessou: Foi ela que me ajudou!
Santo Deus! Também a nossa fé, se informatizou!
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terça-feira, 28 de maio de 2019
A VOLTA DO TREM DEL REI...
A estrada era bucólica. Vaquinhas aqui e ali, espalhadas pelo pasto verdinho
das fazendas e o chacoalho vagaroso dos vagões davam um ritmo sonolento ao belo e calmo passeio.
Pra falar a verdade, um certo tédio chegava de fininho, bem mineirinho durante o trajeto. Até que o trem finalmente chegou ao seu destino.
Foi breve a nossa visita a bela São João Del Rei, com paradas no museu, Igreja, cemitério ao lado, fotos no banco com a estátua de Tancredo sentado e um calórico almoço caseiro, com tutu, couve mineira e feijão tropeiro. Terminamos com boa cachaça na última gastronômica atração da praça.
Subimos novamente na Maria Fumaça. Dali pra
frente, só trilhos e dormentes, até chegar na estação final em Tiradentes que terminava numa porção pequena de terra.
Os turistas desceram falantes na estação com seus celulares a mão para registrar a rústica exibição. Cinco operários, fortes e sincronizados, começaram o pesado exercício diário. Girar em 180 graus, sob um circulo de trilhos, a grande locomotiva que puxava os vagões. O giro do trem foi um grande espetáculo. Arcaico. Mágico. Fantástico.
Terminado o movimento de inversão, o trem ficou mais uma vez no sentido de Tiradentes.
Minha cabeça viajou naquele vaivém... Não era o vaivém grande e conhecido das ondas. Era o vaivém curtinho do trem. O vaivém da vida! Quando não temos mais saída. Nem trilhos pra seguir em frente.
Ah, se a gente pudesse virar com toda força nossa velha locomotiva e fazer a viagem de volta, lentamente, olhando tudo que foi deixado distraidamente pelo caminho.
E chegando no ponto de partida, pudéssemos comprar um outro bilhete. Embarcar novamente. De carro, táxi, avião, não sei bem. Algo que saísse dos trilhos.
E nos levasse para mais além...
quarta-feira, 22 de maio de 2019
MEMÓRIAS DE PAPEL...
Os franceses carregam os pães debaixo do braço. Por costume ou tradição, também não são chegados a banhos diários. Povo excêntrico e perfumado, que vive na bela Paris!
quarta-feira, 8 de maio de 2019
VOLTO LOGO...
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quarta-feira, 20 de março de 2019
QUEM MORA LÁ DENTRO?
Fico imaginando, se pudessem sair das furnas e conhecer grandes lagos ou mares abertos... Alguns, certamente nadariam velozes, livres e felizes, no novo e imenso universo.
Outros, talvez, continuariam reclusos, porém seguros. Isolados na sua furna profunda. Adaptados e sós. Como alguns de nós...
quarta-feira, 6 de março de 2019
"VERGONHAZINHA..."
É dolorido esse tempo impaciente, entre criança e adolescente. Quanta vergonha a gente sente! Vergonha do corpo que espicha. Do sanduíche da mãe de pão com salsicha. Vergonha da roupa que não combina. Da voz que desafina. Do elogio exagerado da tia. Eu lembro de cada vergonhazinha que eu sentia...
O distintivo do colégio minha mãe prendia com alfinetes no bolso da camisa branca de tergal. Eu achava um improviso total. Nunca cogitei pegar agulha e linha para costurá-lo. Era vergonha boba que eu sentia!
O tempo foi passando e aos poucos, a minha timidez se desmantelando. Hoje ando bem sem vergonha. Às vezes, cara de pau. Nada mais me deixa mal. Nem o corpo maduro. As pintas nas mãos e nas pernas. A roupa meio velha. Nem a farofa que na boca cheia esfarela. Levo a alma leve e quiçá, mais bela.
Já não tenho bobagens a me preocupar. Falo sozinha se me der na telha. Entro no mar e sento na areia. Danço e canto nas luas cheias. Solto palavrão vendo coisas inúteis na televisão. Por que, não? Ando falando com desconhecidos. Nas ruas. Nas filas. Edifícios.
Acordei e dei bom dia pro zelador, para o vizinho e um vendedor. E com bom humor, sorri pra aquele senhor charo que insiste em me ignorar. Um dia ele vai aceitar.









