É incrível como, às vezes, o inverno bate gelado dentro da gente.
Mais
que no corpo, o inverno chega à alma. E é paralisante.
O projeto que empaca.
A compra da casa que não sai. A notícia que não chega. O dinheiro que não
entra. O computador, sem conserto, que derradeiramente trava.
Parece que as coisas combinam. Uma espécie de complô. Como as lâmpadas da casa
que queimam ao mesmo tempo. Quando é inverno na alma não há quebras,
apenas o silêncio que congela. O poeta, assim, fica mudo.
E atire uma pedra nesse lago congelado quem já não teve o seu inverno na vida. Inverno de ideias. Inverno de amores. Inverno de grana e paixões. Tempos onde andar pra frente é o que nos resta. Os melhores planos simplesmente não acontecem. E
a aposta da quina não chega nem perto de um dos números marcados. Zero!
Foi num desses invernos da alma que resolvi plantar uma árvore no jardim do meu quintal. Não
iria gastar nada. Só água e tempo.
Em poucas semanas teria flores
para apreciar. Além de que seria muito bom ter o que fazer às manhãs até que o emprego chegasse,
o amor batesse a porta ou um cachorro me fizesse correr mais rápido.
Depois
de várias semanas sem florescer, voltei ao jardineiro e perguntei o que acontecia.
-Porque as flores não vêm?
Pausadamente, ele respondeu: - você plantou uma quaresmeira!
Ela ainda está se preparando. Tem tempo certo de florir.
Voltei para a casa, meu delicado casulo, recolhidamente esperando...
até
meu coração poeta descongelar.
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OBRIGADA PELA LEITURA!
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