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sábado, 4 de julho de 2026

DENTRO DA NUVEM...


Eu andava dentro da nuvem feito criança perdida.

Ou, um anjo descuidado que caiu em endereço errado. 

Era uma nuvem densa. Espalhada por toda a praia. De uma beleza rara.

Com os pés descalços eu adentrava na  estranha paisagem contemplando a névoa e sua densidade. Eu seguia quase às cegas na inesperada viagem. 

Nada se via. Nem a fileira de prédios, nem os navios em alto mar. Só neblina na atmosfera. Nos olhos, nas narinas e na cara. Um súbito “fog” caiçara.

Eu avistava uns dez ou doze metros à frente, quando de repente aparecia gente. 

Uma mulher sozinha sorria, passava e sumia. Depois, uma menina. Uma mãe com criança. Um pescador. Um adolescente. Tipos diferentes....

Seguiam e sumiam também. Atrás e na frente. Curiosos com a manhã diferente que veio para nos questionar: o que vem agora? Será que demora? Quanto tempo vai durar?  

A fumaça roliça e densa foi se  dissipando. Aos poucos, desaparecendo.

As coisas belas e intactas foram lentamente reaparecendo. Tudo no seu devido lugar. Já se via a Ilha Porchat. Os prédios cada vez mais altos a nos circundar. Os navios ancorados no mar.

A vida, às vezes é uma nuvem branca. Estamos dentro dela. Não sabemos o que vem. Quem chega. Quem vai. Quem termina com quem. 

Alguns passam ligeiros. Outros chegam e metem medo. Uns caminham ao lado, compartilhando cada momento. São os amigos do peito.

Mas às vezes cegamos e não vemos mais nada. Até que o sol volte a aquecer e dissipe a névoa nos mostrando novamente a estrada.
 
Achei que encontraria anjos naquela nuvem. Parentes. Amigos incríveis que já se foram. Mas estes devem estar em outras esferas. Mais altas e distantes aqui da Terra.

Só uma andorinha confusa apareceu na areia, atendeu meu pedido e depois para o céu voltou. 

Por favor, manda um beijo pra mamãe, pro meu pai... E não esquece do vovô! 


*                           *                                                              



Foto da amiga de caminhada... Célia Loriggio







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DA SESSÃO DE AUTÓGRAFOS DO LIVRO "INESPLICANDO"

NA BIENAL DO RIO DE JANEIRO! 








2 comentários:

  1. Tb acho q a vida parece com esse nevoeiro q vc presenciou.
    Vc está no meio do nada, nada enxerga, mas com certeza logo aparece alguma coisa concreta e familiar pra tudo voltar ao normal.
    Adorei

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