sexta-feira, 11 de agosto de 2023
A ESCOLHA DOS IRMÃOS...
quarta-feira, 2 de agosto de 2023
MAMMA MIA, CASO DE FAMÍLIA!
"América, América, lá se vive que é uma maravilha. América, vamos ao Brasil com toda a família"... Eles chegaram ao som da canção do imigrante italiano, depois da longa jornada de vinte e tantos dias num navio carregado de gente e sonhos embarcados.
Juntaram-se no bairro do Belém, numa vila pequena onde todos se conheciam e participavam com alegria da vida alheia... A nona Rosalia falava alto que saltava a veia. A Bela e o Giácomo não se importavam. Jogavam buraco, cacheta ou tranca na mesa de toalha branca e belos bordados. No prato ao lado, pedaços de queijo, vinho tinto seco e o baralho.
O tio Bepo tinha fama de muquirana. Nunca apostou a dinheiro. Passava o dia ocupado filando algo no bar ao lado. Sempre na cozinha, a Zia fazia talharine ou penne, “Mangia che te fá bene”, e empurrava um doce da tigela pela nossa goela. Tio Dante reclamava de tudo. Se alguém dizia que sim, ele apostava que não. Sobrava palavrão em italiano e gestos com “le mani”! Caspite, Figlio di un cane.
Ao meio dia na janela, a família parava para ver a prima Estela. Loira, alta e bela que acenava com sua mão de luva branca e seguia pelo Belenzinho, espalhando sorrisos pelo caminho. O nono se derretia. A nona reclamava. O capo maldosamente sorria.
Tudo na mesma vilinha, em casas vizinhas, mais dois cachorros, uma macaquinha, um pombal e galinhas. Eu não falava ainda. Só ouvia e mal compreendia aquela família engraçada, italo-brasileirada de coração grande que sentava as tardes na calçada e se emocionava ouvindo novelas e velhas canções.
O retrato da grande família resta na parede. Na foto, estão calados e serenos. Seriam os mesmos? Olho cada um deles, lembro da voz e acho graça. Casei, formei nova família. Juntei outras gentes. Gerações diferentes. Agora mais tecnos, quietos e gentis.
As festas são mais comportadas. Na mesa
não se joga nada. Ninguém atropela ninguém. Bebemos água e comemos
saladas. A casa é mais tranquila e equilibrada.
Evoluímos a raça? Ou... perdemos a graça?
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domingo, 23 de julho de 2023
MULHERES NA GARRAFA!
Eu gostava daquela geniazinha que entrava na garrafa e se confinava entre carpetes e almofadas rosa-lilás. A sala, cheia de mimos e conforto.
Ela poderia trazer livros, presentes e tudo que desejasse num cruzar de braços. Mas ficar presa com uma rolha no topo da garrafa era inaceitável. De castigo pelo amo? Que gênia atual quer um amo? Eu gostava da Jeannie. Não pensava naquele argumento insano.
Se os personagens das séries antigas saíssem para um bate-papo hoje em dia, quanta discussão daria.
- Daniel Boone amigo, curto você e seu rancho. Suas frases antigas são tão puras " te encontro no paiol, daqui a seis luas!" Mas esse seu chapéu de pele animal. Que cruel. Anos na sua cabeça que até cheira mal. Tire o chapéu, Daniel. Sua virilidade continua. Os bichos agradecem. Continue seguindo a lua.
Eu vibrava com os Pofs, Zapt, Vupt, Boing do Batman e Robin. Sabia que a luta era fajuta. Mas daria um conselho. Todos sabem quem é Bruce Wayne. Cara de um, focinho do outro. Arranja outro óculos ou uma cicatriz no rosto. Em verdade, Batman, até minha vó sem lentes sabia sua identidade!
Para Samantha, a feiticeira, também daria uns toques práticos. James é chato. De vez em quando, faça um feiticinho inofensivo e barato. Um prato pronto pro almoço, sem ter que cozinhar. A casa limpinha sem ter que arrumar. E aquela orquídea seca no vaso, faça num torcer de nariz, novamente florescer. James não precisa saber.
Mulheres, saiam da garrafa! Jeanny e Barbie tem novos formatos. Anti modelos. Mais diversos. Mais libertários. Nenhum major poderá mais prender. Há um mundo mudando lá fora. Ressurgimos mais humanas e sem escolta.
Só se a gente quiser... para a garrafa a gente volta!
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sexta-feira, 21 de julho de 2023
O BIFE!
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segunda-feira, 10 de julho de 2023
O TERCEIRO AMOR...
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quarta-feira, 5 de julho de 2023
AVE SOZINHA. AVE MARIA!
Branca e emplumada, ela caminhava sozinha na praia. Fitava o céu e o mar.
Deve ter escapado do bando do céu e veio dar umas bandas pelo chão. Pisava delicada nas areias fininhas e em algumas migalhas de conchinhas. Ia devagar, mansinha. Marchando em contemplação.
Eu era aquela ave solitária na praia. Sorvendo o silêncio e a beleza. Seguia com ela serena e sozinha. Retilínea. Pernas em marcha, esticadinhas. Água e sal entre os dedos, sentindo aquele prazer egoista em segredo.
Seria uma garça, gaivota,
albatroz ou pelicano? Às vezes me engano com as aves que voam sobre o
oceano. Era um ser alado somente,
na palidez da minha visão, sem maior classificação. Batizei-a Maria. A ave Maria. O divino ali cabia.
Naquele momento sem gente, o vento guiava minha mente por mares distantes e verdes. Eu velejava sem velas na suave atmosfera. Balanço manso da alma em terra.
A ave não me via. Eu me via nela.
O sol ardente de repente apareceu. A ave solitária abriu suas asas, agora aquecidas e mergulhou no mar. Depois, num ímpeto aéreo e belo emergiu.
O seu arrepio de penas me
sacudiu.
Cheguei mais perto sem ela perceber. Tinha ar de contente. Vi um bico sorridente.
O breve momento foi suficiente. Desmontou a cena. Voltamos a ver gente, gente e mais gente.
Ela voou. Eu voei também.
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domingo, 2 de julho de 2023
ME DÊ UM JARDIM...
Se pensar num presente para mim... me dê um
jardim.
Não hesite. Acredite. Um jardim seria o melhor
presente. Pode ser pequeno. Mas que tenha flores suficientes. Coloridas. Pode
ter orquídeas, sem vergonhas ou margaridas. Um ou dois arbustos, pedriscos e
musgos. Mas que venha com boa terra. Pode ter húmus. Adubo animal. Evite aqueles
pozinhos artificiais. Minhas flores costumam
usar coisas naturais.
A grama não tem muito que pensar, escolha a São
Carlos ou a esmeralda. Fácil de tratar. Basta sol e água. De vez em quando
tirar um bocadinho de praga.
Se for me presentear com um jardim... Não pense duas
vezes. Vai alegrar meu coração. Se for pequeno, levo na mão. Se for muito
grande, eu trato de arranjar um caminhão. Não rejeito jardins de modo algum.
Sempre sei onde colocar. E não precisa ter pomar. Bastam as flores e as abelhas
já virão. Junto com elas o beija flor, os grilos e muitos insetinhos escondidos
na grama pelo chão. Quero o combo completo com tudo que for e flor.
Quando for me dar um jardim. Fique à vontade. E muito
tranquilo. Sei da responsabilidade. Rega, poda, conversas ao pé do ouvido. As
plantas entendem o que exala, além da fala.
Se for me presentear com um jardim, não esqueça que meu aniversário é em julho. Inverno, de céu cinzento. Um frio intenso de trincar os dentes dos anões do jardim e colocar paletó nos gnomos e querubins. Então aproveita na hora da compra e traz um pouquinho de sol concentrado pra mim.
E um outro tanto, entre duas nuvens... pro meu jardim!
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