O nome era cine Universo. Tinha o teto retrátil. O
que era muito mais interessante que a maioria dos filmes que passavam.
Era
mágico e excitante ver aquele portal gigante abrindo lentamente no final de
cada sessão. E tinha sempre um noticiário em branco e preto antes dos filmes.
O Primo Carbonari, com trilha orquestrada e notícias em voz padrão. E o Canal 100, mostrando cinematograficamente um clássico no Maracanã
apinhado de gente. Eu gostava daquele balé de pernas,
filmadas de baixo pra cima, driblando e passando a bola em “slow motion”.
A maioria dos cinemas da época apresentava sessões duplas.
“Dio Come te amo” era batata, antes da estreia de um novo filme, deixando ainda
mais romântica a adolescência paulistana. Ninguém reclamava. Tudo era cinema! Cada qual com sua magia. Chatos, só os lanterninhas.
Gazeta, Gazetinha e Gazetão eram vizinhos dos famosos cursinhos. Fontana e sua sessão tripla no Brás. Copan e Belas
Artes, o cinema dos artistas. Bijou, Olido, Marabá. Cada um com o seu charme e beleza. E todos com o mesmo cheiro de aromatizante, pipoca amanteigada e refrigerante.
Cines de
som horroroso. Cadeiras de madeira e duro encosto, por onde deslizavam chaves e
carteiras. E depois de sentar, a estranha mania de observar... a mulher mais nova e o senhor sem cabelo. O
homem magro, de rosto vermelho. A senhora que saiu do cabeleireiro. Eduardos
e Mônicas, sem moto, sem camelo.
Tudo num cenário antigo. Na sessão, vários amigos. E o cara gigante que sentava na nossa frente roubando parte
da legenda e a nossa paciência.
Coisa de cinema. Tudo encantava. Mas o cine Universo superava.
Quando não
chovia, o enorme teto se abria. Para que até os anjinhos, lá de cima, dessem uma
entradinha.
Pura cortesia!
Para os que conheceram o Cine Universo e (ou) para os
curiosos e interessados...
segue abaixo o link para a visita virtual ao antigo Cinema!






