As pessoas que eu mais amava usavam casacos. Lembro delas assim...
Desfrutei pouco tempo com minha avó
materna, seis anos apenas, mas lembro do seu casaquinho marrom. Tricô. Feito a mão. Ficava por cima de um vestido largo. Às vezes, sobre uma camisola de
flanela estampada, já no fim de sua caminhada, mais frágil mas sempre requisitada. Era
quentinho quando ela me abraçava. Cheiro de vó. Aconchego de amores e sabores. Sopa de
couve, e sabonete Alma de Flores.
Minha tia também tinha um casaquinho. Era
azul, com dois bolsinhos pequenos. Cardigan. Sempre tinha umas moedinhas. Às
vezes, balinhas de hortelã. Ela pedia pra eu pegar lá dentro. Casaquinho perfeito!
Até minha mãe teve um casaco marcante. Vermelho, com botões gigantes. Dava a ela juventude e elegância. Usou uns dez anos, sem constrangimento ou pudor. Na maioria das
festas e comemorações. Não esqueço aqueles botões. Eram a cara da sua geração.
Os casacos deixam marcas.
Os pequenos... e os grandes. Nos filmes clássicos dos anos cinquenta, homens e mulheres com casacos de lã. Em Paris. Nova Iorque. Amsterdã...
Ou numa ponte em Veneza. A cena era sempre a mesma. Despedida, com muita elegância e alguma tristeza.
Eram chiques os casacos da Europa... Mas, o que me importa são os casaquinhos das
mulheres queridas que conheci e ainda encontro por aqui. Marcas que não tem preço.
A Dona
Domingas, por exemplo... Faz limpeza
aqui no prédio. Vejo de longe seu casaquinho carmim. Tem sempre um sorriso e um
bom dia pra mim.
Doem suas pernas. Anda curvada. Batemos papo na escada. Ela
conta da família. Tem três filhos, um só trabalha. O marido não pode e além disso, atrapalha. Ela tem netos que não acabam mais.
Por isso, aos sessenta e cinco, com asma, bronquite
e rinite, ainda tem que trabalhar.
Ah, Dona Domingas, merecia muito mais.
Tá na hora... do seu casaco carmim se aposentar...
* * * *
AGRADECIMENTO!
Exposição “ Mulheres, o poder além das imagens”, na Pinacoteca de Santos!
Exposição “ Mulheres, o poder além das imagens”, na Pinacoteca de Santos!
Linda iniciativa da jovem e talentosa fotógrafa
Isabela Garcia, retratando o universo feminino, representado por 21 mulheres
atuantes na Baixada Santista.
Muita honra e alegria de ter sido uma delas!
Muita honra e alegria de ter sido uma delas!
Inês e Isabela/ Pinacoteca de Santos


Q singelo.. casaquinhos marcantes mulheres poderosas.
ResponderExcluirBem observado..rs