Minha alma se inquieta quando vejo esculturas encravadas numa paisagem natural.
Pode ser um ligeiro mau humor. Pode ser.
Ou inveja, por não saber moldar sequer um boneco de papel-machê.
Aprecio a arte dos homens. Mas a arte da natureza me parece tão absoluta que, às vezes, acho que as duas não deveriam disputar o mesmo espaço.
Uma em cima da outra?
Deveria haver uma espécie de autorização. De Deus, dos oceanos... não sei.
Nada tenho contra a obra. Meu conhecimento de arte é tão miudinho que se resume a reconhecer os olhos e o nariz de um Aleijadinho e o vigor dos bustos de Rodin.
Aos artistas, portanto, peço perdão.
Minha implicância é com o endereço.
É pelo lugar onde algumas obras foram colocadas. Elas parecem estar sempre exatamente onde não deveriam estar.
Aqui no Itararé, em São Vicente, por exemplo, olho para a Pedra da Feiticeira, rústica, milenar, cravada na areia e ungida pelo mar.
E lá está ela.
No topo da pedra, uma estátua de ferro, grudada com cimenticola, a me torturar.
É bonita.
Mas não tinha outro lugar?
A mesma sensação tenho diante do peixe gigante na chegada de Santos.
De um lado, o símbolo da volta. A alegria de quem retorna para casa, para o mar.
Do outro, um peixe fora d’água, entre vias expressas, carros e buzinas.
É lá que ele deveria estar?
Não tinha outro lugar?
E há ainda as cabeças gigantes na rotatória de Praia Grande.
Sinto poder e um certo medo quando passo por elas. Parecem estar ali, observando tudo, em vigília.
Mas, pensando bem...
Ficariam melhor em Brasília.
A arte é uma das mais ricas e maravilhosas expressões humanas e não deve ficar restrita aos museus. Deve ocupar as ruas, conversar com as cidades, fazer parte da paisagem.
Minha cabeça concorda.
Meus olhos e meu coração, nem sempre.
Às vezes fico imaginando Deus, lá do alto, olhando para uma dessas esculturas, depois para a paisagem que Ele mesmo criou.
E pensando:
— Tinham que colocar justo aí em cima?

Às vezes sinto o.mesmo, ao olhar algumas esculturas, mas jamais descreveria de um jeito tão leve, divertido e poético.
ResponderExcluirAmei..
Sentimentos contraditórios, não é mesmo Soninha? Adoro arte , mas tem certos lugares.... rs
ExcluirConcordo, vizinha. Totalmente destoante, intrusa, desnecessária...
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirNão sei descrever com belas palavras o meu descontentamento da estátua exposta na pedra da feiticeira, portanto, digo apenas que, detestei desde o primeiro dia em que a vi. Detestei o local em que a colocaram. Violaram a bela obra executada pela ARTISTA NATUREZA, "A PEDRA DA FEITICEIRA".
ResponderExcluirNão sei descrever com belas palavras o meu descontentamento da estátua exposta na pedra da feiticeira, portanto, digo apenas que, detestei desde o primeiro dia em que a vi. Detestei o local em que a colocaram. Violaram a bela obra executada pela ARTISTA NATUREZA, "A PEDRA DA FEITICEIRA".
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