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quarta-feira, 6 de julho de 2016

EM CIMA DAQUELA PEDRA...


                              

Minha alma se inquieta quando vejo esculturas encravadas numa paisagem natural.

Pode ser um ligeiro mau humor. Pode ser.
Ou inveja, por não saber moldar sequer um boneco de papel-machê.

Aprecio a arte dos homens. Mas a arte da natureza me parece tão absoluta que, às vezes, acho que as duas não deveriam disputar o mesmo espaço.

Uma em cima da outra?

Deveria haver uma espécie de autorização. De Deus, dos oceanos... não sei.

Nada tenho contra a obra. Meu conhecimento de arte é tão miudinho que se resume a reconhecer os olhos e o nariz de um Aleijadinho e o vigor dos bustos de Rodin.

Aos artistas, portanto, peço perdão.

Minha implicância é com o endereço.

É pelo lugar onde algumas obras foram colocadas. Elas parecem estar sempre exatamente onde não deveriam estar.

Aqui no Itararé, em São Vicente, por exemplo, olho para a Pedra da Feiticeira, rústica, milenar, cravada na areia e ungida pelo mar.

E lá está ela.

No topo da pedra, uma estátua de ferro, grudada com cimenticola, a me torturar.

É bonita.

Mas não tinha outro lugar?

A mesma sensação tenho diante do peixe gigante na chegada de Santos.

De um lado, o símbolo da volta. A alegria de quem retorna para casa, para o mar.

Do outro, um peixe fora d’água, entre vias expressas, carros e buzinas.

É lá que ele deveria estar?

Não tinha outro lugar?

E há ainda as cabeças gigantes na rotatória de Praia Grande.

Sinto poder e um certo medo quando passo por elas. Parecem estar ali, observando tudo, em vigília.

Mas, pensando bem...

Ficariam melhor em Brasília.

A arte é uma das mais ricas e maravilhosas expressões humanas e não deve ficar restrita aos museus. Deve ocupar as ruas, conversar com as cidades, fazer parte da paisagem.

Minha cabeça concorda.

Meus olhos e meu coração, nem sempre.

Às vezes fico imaginando Deus, lá do alto, olhando para uma dessas esculturas, depois para a paisagem que Ele mesmo criou.

E pensando:

— Tinham que colocar justo aí em cima?




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7 comentários:

  1. Às vezes sinto o.mesmo, ao olhar algumas esculturas, mas jamais descreveria de um jeito tão leve, divertido e poético.
    Amei..

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    1. Sentimentos contraditórios, não é mesmo Soninha? Adoro arte , mas tem certos lugares.... rs

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  2. Concordo, vizinha. Totalmente destoante, intrusa, desnecessária...

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Não sei descrever com belas palavras o meu descontentamento da estátua exposta na pedra da feiticeira, portanto, digo apenas que, detestei desde o primeiro dia em que a vi. Detestei o local em que a colocaram. Violaram a bela obra executada pela ARTISTA NATUREZA, "A PEDRA DA FEITICEIRA".

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  6. Não sei descrever com belas palavras o meu descontentamento da estátua exposta na pedra da feiticeira, portanto, digo apenas que, detestei desde o primeiro dia em que a vi. Detestei o local em que a colocaram. Violaram a bela obra executada pela ARTISTA NATUREZA, "A PEDRA DA FEITICEIRA".

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