sexta-feira, 11 de abril de 2025
QUERIDA, ENCOLHI OS CHOCOLATES!
sexta-feira, 28 de março de 2025
CARTA AO PRIMO CORINTIANO
Primo Jairo
28/3/2025
Que carta linda eu te escreveria hoje... à la Drummond. E diria que o timão papou mais um caneco.
É campeão!
E foi “daquele” jeito. Na raça, na luta, na vontade. Na
provocação.
E teve confusão, afinal Débi é Dérbi, não? O papai iria
azucrinar o amigo Cola, o bom e ranzinza “parmeirense” Nicola. Ia perguntar: cadê a academia? Não tem mais
Ademir da Guia. Estevão é bom. Mas precisa comer muito arroz com feijão. Faz
parte a zoação dos mais antigos. Já perdemos tantos destes bons e irritantes “inimigos”.
Acontece que cada título é uma luz na alma que se acende.
Corinthians é coisa que só corintiano entende. Doença. Crença. Uma paixão. Tortura pura pra quem é
ansioso de coração.
À vezes, falta o
fôlego. Tudo é sofrido. Nunca foi fácil. Como a vida da gente. Acho que é
por isso que a gente se compreende. A nação se ajuda. Canta alto. Pra espantar a zica e mostrar que juntos temos poder. O
poropopó diário que a gente do povo tem pular pra vencer.
E o timão nunca teve a frieza dos adversários. Com a gente é
sangue no olho, tapa na orelha e muito barulho. A gente ganha, ou perde tudo. É
gloria ou fim do mundo.
*Toquinho disse na canção... ser corintiano é muito mais que
ganhar ou perder. É um jeito de ser e viver.
Primo, que carta legal seria esta de hoje. Mas não tenho
mais o seu endereço. Você se mandou. Tem
CEP no céu? Não sei. O mensageiro de Deus não me informou.
E o papai ? Mora ao lado? E o meu irmão, tem visto ele
ultimamente? Ia querer o resumo do jogo,
os momentos principais. O Memphis é bom
mesmo? O Garro, o Yuri, o Hugo? Quem jogou mais? Tudo bem detalhado. Eu ia
resenhar um bocado.
Mas aí onde vocês estão... não chega a minha conexão. A internet não vai
tão longe. Talvez uma fugidinha da alma hoje à noite e eu consiga enviar um...
Vai curintiaaaaaaa!!!!
Pode ficar alegre primo! Chama a Marli para uma cacheta. Meu
pai para um truco. Não é blefe não.
Quem pegou o caneco ontem... foi o timão!
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TOQUINHO TOCA POROPOPÓ
https://www.instagram.com/reel/DHukepgsVZJ/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
quarta-feira, 26 de março de 2025
O BALANÇO DA ALMA
Às sete acordo. Tomo banho. E quero melhorar
o mundo.
O dia é uma folha em branco. Meu otimismo é a
roupa recém-lavada que visto na manhã onde tudo parece possível.
Às oito caminho. Os compromissos e as memórias
se entrelaçam. Projetos se desenham no horizonte. Os ensaios de ontem ganham
forma na minha mente arejada. O sucesso caminha ao meu lado, descalço e
sorridente. Sou o otimismo que corre na areia. A alma passeia.
Às dez sento para escrever. E as palavras se
dispersam em folhas que caem e a clareza se esconde atrás de montanhas. A
inspiração hesita. O texto gravita, solto, sem contorno. Não insisto. Há dias
em que a alma se veste de outono.
Às quatorze almoço. O corpo assimila os
nutrientes, a mente absorve as horas engolidas. Tudo se mistura no menu – o que
fui, o que serei, o que ainda não entendi e não sei.
Há renovação no mastigar e as frutas da
estação me lembram que a vida segue em ciclos, em fomes, alternâncias de
humores. Às vezes, tensão. Às vezes, flores. Oscilações da alma.
Às quinze toca o celular. Retomo o fôlego,
ajeito o corpo. A vida pede sequência, ainda que a alma preferisse uma “sesta”.
Às dezessete, desempenho total. Escrevo,
resolvo, organizo o carnaval. Como se a tarde entendesse sua missão de me
reconciliar com o dia impreciso e lento. Há uma pressa, uma necessidade de
fechamento.
Aproveito esse instante, sei que sumirá ao
cair da noite.
Às vinte,
respiro fundo, mas o mundo me invade.
A tevê cospe sua tragédia diária,
e a esperança, que de manhã eu vestia, agora tem manchas de dúvida e pessimismo.
Minha alma, com "tdah", oscila outra vez.
Às vinte e três, busco novo equilíbrio, vejo
uma série leve ou parto para um livro.
E já é meia noite. Queria ter dormido antes. Queria
ter regado as flores.
Queria
ter cantado no microfone. Vou deitar apressada.
Amanhã acordo cedo. Tenho que melhorar o
mundo.
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quarta-feira, 12 de março de 2025
SAUDADE DE VOCÊS...
Receio que essas coisas belas que eu via quando criança... Os antigos ambulantes, os vagalumes e até as abelhas em suas doces andanças...
Restem um dia, apenas e somente, na nossa lembrança.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025
TROMBA DE CALOR!
domingo, 9 de fevereiro de 2025
A PLACA DA VILA FLOR
O nome está na gravado na placa.
Vila Flor. Pequena e com poucos habitantes, a cidade conserva suas casinhas de pedra e ruas estreitas que parecem guardar o passado.
Foi ali que Henrique nasceu. Em meio aos campos verdes, sob um céu azul intenso e às vezes, cinza modorrento do inverno de Portugal. As vinhas de Vila Flor parecem serpentes cortando as colinas e as oliveiras centenárias escondem segredos.
Maria Emília era de Vila Real, não muito distante, onde as montanhas do Douro aparecem no horizonte e o vinho é "agua corrente".
Para Henrique a distância não existia. O coração dele escolheu Emília, ainda que ela nunca tenha facilitado esse amor. Ela trazia a dureza das pedras do Porto e a teimosia de quem queria trilhar o próprio caminho. E assim, ela partiu num domingo, no grande navio, cruzando o oceano rumo ao Brasil. Levou consigo o coração fechado, tentando esquecer o passado.
Mas Henrique não se deu por vencido. Seu sexto sentido dizia que ela seria sua. Por amor ou loucura decidiu trocar as ladeiras pequenas de Vila Flor pelas esquinas de um gigante Brasil.
Encontrou Maria Emília um ano depois, já dona de uma venda, comerciante próspera e independente. Henrique, insistente, veio colher a semente do amor que plantou e que veio de Vila Flor!
Casaram-se e tiveram três filhos. Todos os dias, Henrique se sentava à porta da vendinha, a cadeira virada ao contrário, dedilhando seu bandolim. Espantava a clientela assim, com melodias que nem ele sabia de onde vinham, mas, aos poucos, amoleciam o coração de Emília. Para as crianças, contava histórias criadas na imaginação. Era um português sonhador.
Com trabalho duro e madrugadas sem descanso construíram juntos uma história sólida como as paredes de Vila Flor. Henrique teve netos e "Henriqueceu" com esse amor. Até que a memória partiu sorrateira. E aquele que nunca esqueceu Maria Emília passou a esquecer dos seus dias e das memórias de uma vida inteira.
Partiu cedo, num domingo, dormindo ao lado de seu único amor.
Hoje, Vila Flor está tombada, preservada, como um quadro antigo no museu. Seus habitantes ainda descem as ruas de pedra nos dias de festa, carregando tradições que resistem ao tempo.
Quando vi as imagens do cortejo municipal, feito um triste
carnaval marcado por um tambor ritmado, senti como se Henrique estivesse ali,
descendo com eles, tocando seu bandolim desafinado.
Aquele amor que cruzou o oceano veio bater em mim. E ainda corre nas minhas veias.
Na parede da minha casa, coloquei a placa que leva o nome: Vila flor. Também é seu o meu lugar, meu avô.
Porque, de certa forma, a sua viagem não terminou...
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2025
ÚLTIMAS CEREJAS...
Comemos e bebemos mesmo assim. Felizes, rotundos e satisfeitos. Afinal, em tempos de fome mundial e abismos sociais, o desperdício chega a ser desonesto.
Até o bulling com as uvas passas vai passar. O ano novo começa com todas as velhas questões que deixamos de resolver no ano que passou. Tudo continua onde parou.
Mas uma coisa eu levo comigo neste novo ciclo. A maturidade e os anos da pandemia me ensinaram.
E vou comprar mais cerejas, amanhã mesmo. Porque aquela última, foi de amargar...
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