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sexta-feira, 11 de abril de 2025

A FEIRA, CONTINUA LIVRE

Feira livre. Há um bom tempo eu não ia.

Ela continua livre. Com suas cores e humores. Dos peixes às flores. 

De cara, um sujeito tocava jazz no saxofone. Na placa não havia seu nome, mas a frase: “Vivo de arte!”.  Parei uns instantes, em solidariedade.

Caminhar pela feira foi recordar a infância. Grudada na saia da mãe para não me perder. Lembrar onde estava o melhor preço, voltar no comecinho. Bater o calcanhar na roda do carrinho. E voltar carregada de frutas saltando da sacola.

O cheiro doce da cana moída, do abacaxi e da laranja descascada pelo moço do facão permaneciam no ar. 

As mãos de minha mãe escolhiam o abacate com um critério que só ela entendia. 

O barulho dos pregões me assustava e encantava ao mesmo tempo. Cada banca parecia um palco, cada feirante, um personagem. Eu, na plateia,  com olhos atentos de criança.

O moço que vendia queijos fazia piadas sem graça:  - moca bonita não paga. Mas tambem nao leva. 

Eu parava numa banca de fitas de cabelo para olhar. Às vezes ganhava um mimo de criança. Noutras, voltava apenas com a lembrança.

Essa magia a feira ainda tem. Tem mandioca cortadinha. Melancia em pedaços. Bananas em dúzia num cacho - e mais duas de presente! -  grita alto o feirante, alegremente. 

Tem pano de prato de algodão, tampa de boca de fogão. Alho descascado. Raízes, condimentos e extratos.

Muita coisa em saquinho. Verduras e legumes .cortadinhos. Três por dez reais! No final, leva um a mais. Dez é o pastel também. Parei para reabastecer.

Um homem de pernas arqueadas sentou em dois banquinhos. E num espaço pequeno, dois namorados comeram juntinhos. Um de carne e um de queijo. Misturavam sabores. Davam beijinhos.

No final da festa, um feirante com pinta de artista cantou alegre e bem alto uma versão do sucesso de Bruno Mars...


- Alface lisa, alface crespa... couve flooooorrrr!


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