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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

SALVE... A JOANINHA...

É algo incontrolável. Eu salvo insetos. 

Não consigo ver  um marimbondo, mosquinha, pirilampo, tesourinha se debatendo na água que meto o dedo e vou logo salvar. É ato espontâneo, sem pensar.  

Vejo o bichinho girando, engasgando, se contorcendo e faço o diabo pra tirar. 

Às vezes  até pego um gravetinho pra ele se segurar. Ofereço o dedo. Faço ondas e vou jogando pro cantinho até o bichinho escapar. 

Alguns desses insetos não são nada agradáveis. Mas, sei lá! Não gosto de ver a vida agonizar. Se tiver que morrer, que morra em outro lugar. Não na minha frente. Ajuda, não consigo negar. Seria um lampejo de Madre Tereza de Calcutá? 

A pobre joaninha ficou se debatendo no meio da poça do jardim depois de três dias de temporal sem fim. Rodopiava, batia as asas exaustas e ensopadas. As suas oito ou doze pintas mal se enxergava. Era um vermelho pálido de medo de quem, quase desfalecida, já se entregava.  

Fui até a joaninha pisando na água fria e ofereci minha mão feito jangada. Terra firme. Confiança espalmada. 

A pequena subiu trôpega e desajeitada. E eu fiquei por minutos olhando aquele inseto frágil e amigável na palma da mão. Ajeitando as asinhas, secando os olhinhos e regulando o sensor. Ufa! Estava viva. E com grande alívio ressurgia em brilho e cor.

A Joaninha enfim voou e foi parar no meu nariz.

Acho que ela queria me agradecer. Mirei-a por debaixo dos óculos e soprei, com sopro de ternura para ela docemente partir.  

Voa logo, Joaninha... vai ser feliz!      


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COMBOS INESPLICANDO   LIVROS 1 E 2

NA PAPALE1S EDITORIAL

OBRIGADA!

Um comentário:

  1. Uaaaau, delicadeza que indica um bom coração! Adorei! Beijos! 👏🏻👏🏻👏🏻😘🌹

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