É algo incontrolável. Eu salvo insetos.
Não consigo ver um marimbondo, mosquinha, pirilampo, tesourinha se debatendo na água que meto o dedo e vou logo salvar. É ato espontâneo, sem pensar.
Vejo o bichinho girando, engasgando, se contorcendo e faço o diabo pra tirar.
Às vezes até pego um gravetinho pra ele se segurar. Ofereço o dedo. Faço ondas e vou jogando pro cantinho até o bichinho escapar.
Alguns desses insetos não são nada agradáveis. Mas, sei lá! Não gosto de ver a vida agonizar. Se tiver que morrer, que morra em outro lugar. Não na minha frente. Ajuda, não consigo negar. Seria um lampejo de Madre Tereza de Calcutá?
A pobre joaninha ficou se debatendo no meio da poça do jardim depois de três dias de temporal sem fim. Rodopiava, batia as asas exaustas e ensopadas. As suas oito ou doze pintas mal se enxergava. Era um vermelho pálido de medo de quem, quase desfalecida, já se entregava.
Fui até a joaninha pisando na água fria e ofereci minha mão feito jangada. Terra firme. Confiança espalmada.
A pequena subiu trôpega e desajeitada. E eu fiquei por minutos olhando aquele inseto frágil e amigável na palma da mão. Ajeitando as asinhas, secando os olhinhos e regulando o sensor. Ufa! Estava viva. E com grande alívio ressurgia em brilho e cor.
A Joaninha enfim voou e foi parar no meu nariz.
Acho que ela queria me agradecer. Mirei-a por debaixo dos óculos e soprei, com sopro de ternura para ela docemente partir.
Voa logo,
Joaninha... vai ser feliz!
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COMBOS INESPLICANDO LIVROS 1 E 2
NA PAPALE1S EDITORIAL
OBRIGADA!

Uaaaau, delicadeza que indica um bom coração! Adorei! Beijos! 👏🏻👏🏻👏🏻😘🌹
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